domingo, 16 de maio de 2010

Vazamento de óleo sem precedentes põe em risco o domínio dos marismas no golfo do México

Apesar do nível técnico alcançado nos dias atuais na exploração, captação, logística, comércio e armazenamento do petróleo e seus derivados, há sempre riscos de acidentes e que envolvem o maior dos ecossistemas que é o ambiente marinho, não só porque ali vivem milhares de espécies sendo que todo o animal terrestre tem um exemplar marinho, mas porque também o mar representa uma importantíssima fonte de alimentação para as demais espécies, principalmente aves. O derramamento de óleo no Golfo do México está pondo em risco o fragilíssimo ecossistema dos marismas presentes nas zonas costeiras da região, já é o maior da história, principalmente pela falta de controle da saída do óleo das profundidades e também pela falta de contenção, de barreiras para se evitar uma tragédia ambiental facilmente observadas em imagens de satélites.

Uma das características do Golfo do México é o domínio dos marismas (salt marshes), presentes nos estuários, no contato entre a terra e o mar, entre a água doce e salgada e em regiões onde a temperatura do ar é mais baixa. A característica principal é a área periodicamente alagada e recoberta por plantas herbáceas e que estão adaptadas a salinidade do mar, muito semelhante ao mangue brasileiro sendo uma das diferenças a ausência de árvores. No Brasil estão presentes nas baias de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Entre as espécies vegetais há a presença de samambaias, briófitas e algas e espécies animais de aves e crustáceos.

Marismas e mangues são regiões frágeis por natureza, a própria localização já coloca os domínios em risco quando o assunto é vazamento de óleo, pois além de abrigarem enorme biodiversidade são regiões berçário e de fonte de alimentação, ali ocorrem o nascimento de muitas espécies além da alimentação que é riquíssima, pois o lodo formado apresenta importantes nutrientes. O desastre coloca em risco a cadeia alimentar, pois os vegetais absorvem a contaminação e secam virando sedimentos, pequenos animais consumidores primários ingerem esse sedimento e os consumidores secundários como as aves se alimentam desses pequenos animais. O tempo de recuperação de um ecossistema é longo, quanto mais frágil, mais há dificuldade de se recuperar. Sem falar que a fragilidade natural impede que o marisma seja completamente limpo.

Muitas críticas têm sido feitas à exploração do petróleo, mas a sociedade precisa lembrar que muitos dos sub produtos do petróleo ainda não possuem substitutos, há estudos efetivos, mas nada em larga escala e que seja viável economicamente. Claro que seria melhor que não houvesse o uso de tais materiais, mas no atual nível em que chegamos, pelo menos até a descoberta de substitutos, ainda faremos uso do petróleo e derivados. Novos plásticos são estudados visando a redução no tempo que levam para a decomposição total, assim como já há combustíveis sendo fabricados a partir de outros materiais, esses uns dos maiores usos do petróleo atualmente.

No momento as ações se devem em torno da contenção de barreiras e ações em torno do fechamento das válvulas que liberam o óleo para o mar, além da movimentação em torno da proteção desse ecossistema e de qualquer outro que possa receber a contaminação direta e indireta. Agora é a hora dos americanos demonstrarem que também destinam bilhões de dólares à proteção do meio ambiente e não somente à fabricação de armamentos pesados.

ONG Matter of Trust coleta cabelos e fibras para a contenção do vazamento no Golfo do México

Diferente das outras ONG´s que diretamente trabalham com a preservação e recuperação de áreas degradadas e das espécies, a ONG Matter of Trust trabalha com a coleta, armazenamento e aplicação dos cabelos e sintéticos como lã e nylon na contenção de vazamento de óleo, fazem parte de seus armazéns toneladas de cabelos doados por salões de todo o mundo, além de fibras e lãs. A campanha da ONG nesse momento é em busca das doações em todo o mundo destinadando o uso ao gigantesco vazamento no Golfo do México que ameaça os ecossistemas locais.

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Radarsat capta imagens do derramanento de óleo no Golfo do México

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